Canaã dos Carajás- camponeses debates passivos da mineração da Vale

17 de julho de 2010

Devastação do meio ambiente por conta de transbordamento de tanques de rejeitos do processo de aquisição do minério, assédio da Vale e da terceirizada Diagonal sobre camponeses assentados para a aquisição de lotes, problema de abastecimento de água, violência, não democratização da informação foram algumas das questões levantadas na reunião da sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) no município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará.

O Centro de Educação, Pesquisa, Assessoria Sindical e Popular (CEPASP), ONG com sede na cidade pólo da região, Marabá, fez a assessoria da reunião. A ONG e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) estão assessorando as representações camponesas no processo de organização de dados e debates sobre a mineração na região.

A reunião teve como objetivo fazer um nivelamento das informações sobre as problemáticas camponesas por conta dos projetos de mineração da Vale. Além das situações citadas acima, um questão considerada grave é o abastecimento de água.

Em suas propagandas e artigos a Vale informa que efetivou o saneamento e o abastecimento de água da cidade. No entanto, os depoimentos de pessoas indicam uma realidade delicada.

Dirigentes de associações informaram que além da má qualidade da água, há problemas de abastecimento. E tem ainda a tarifa do serviço cobrado pela prefeitura, que chega às vezes a taxas de R$ 400,00.

Com relação à compra de lotes de pessoas assentadas, há uma estimativa que a Vale tenha adquirido pelo menos 124 lotes em áreas de interesse para a exploração de minério ou para a construção de ferrovia.

Faz cinco anos que a empresa explora cobre no município. A praxe quando da efetivação desse tipo de projeto é a especulação do mercado de terras no campo e na cidade, aumento do preço da terra e da locação e venda de imóvel e elevação dos preços de diárias em hotéis.

Aumento da taxa de migração, alcoolismo, prostituição e uso de drogas são elementos que resultam da implantação de grandes projetos na região. Tais empreendimentos são considerados como enclaves, transferem riquezas para outros locais.

As relações de solidariedade e companheirismo entre as pessoas que moram no local também são afetadas. 20 anos é a estimativa de duração da exploração de cobre na mina do Sossego em Canaã. A “terra prometida” fica cravada no vale com vários platôs a serem explorados pela Vale.

A estrada para se alcançar Canaã é sinuosa. Mas, bem pavimentada. No percurso atravessamos algumas fazendas e ocupações. Na fronteira agromineral, a extração do minério e a pecuária conformam a economia.

Sossego é o nome da mina em que a mineradora extrai cobre. O nome da mina passa a batizar empreendimentos na cidade. Apesar de inúmeros alertas nos mais diferentes níveis, as queimadas ainda fazem parte da realidade local.

 Uma delicada situação fundiária, disputa pelo controle do território, posse e uso das riquezas locais, modelo de projeto de desenvolvimento, papel do Estado constam como elementos de pano de fundo sobre a região, que conecta o local ao global por conta do extrativismo mineral.

É comum a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) e da renda per capita, em contrapartida, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e demais, costumam ser os piores.http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com/


Um pouco sobre a Vale

17 de julho de 2010

A VALE que até final de 2007 era conhecida pelo nome de Companhia Vale do Rio Doce, agora pelo nome de fantasia VALE, foi criada em 1942, e funcionou como empresa de capital misto, com 51% das ações sob controle do governo brasileiro, até 1997, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso transferiu para grupos estrangeiros 43,71% das ações.

No território brasileiro ela possui concessões para pesquisar e explorar minérios numa área de 23 milhões de hectares. Concessões só com o direito de explorar, no Brasil é uma área de 8,7 milhões de hectares, em outros países a área é de 19,8 milhões de hectares, são eles: Angola, Argentina, Austrália, Chile, Gabão, Guiné, Mongólia, Moçambique, Peru e África do Sul.

Atua em 14 Estados brasileiros: Pará, Maranhão, Ceará, Tocantins, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

É a segunda maior mineradora do mundo, perdendo apenas para a anglo-australiana BHP Billiton. Tem 52.000 trabalhadores, no Brasil e no exterior, depois que teve que assumir 14.000 da INCO, empresa canadense adquirida em 2007.

É uma empresa que atua não apenas na mineração, mas também na implantação e exploração de logísticas: ferrovias, portos e navegação.

Produtos explorados e comercializados, de maior expressão: Minerais ferrosos: minério de Ferro, Manganês, ferro ligas e pelotas; Minerais não-ferrosos: Níquel, Cobre, Caulim, Potássio e Cobalto; Cadeia do Alumínio: Alumínio primário, alumina e Bauxita. 

São 64 empresas que fazem parte do grupo VALE e suas associadas, no Brasil e no exterior, nos ramos de: pesquisas, carvão, siderurgia, exploração mineral, pelotas, ferrovia, serviços portuários, navegação, geotecnologia e energia.

O mercado mundial é: as Américas, Europa, Ásia, África, Oriente Médio e Oceania, para onde exporta 80% de sua produção. Seus principais compradores: EUA, Alemanha, França, Inglaterra, Oriente Médio, África, Oceania, China, Coréia do Sul e Japão.

A VALE pode ser encontrada na América do Norte: EUA e Canadá; América Andiana: Peru, argentina, Colômbia, Chile e Brasil; África: Guiné, Angola, Moçambique e África do Sul; Euroásia: Noruega, Inglaterra, Pais de Gales, França, Alemanha, e Suíça; Autralásia: Omã, Índia, Mongólia, Coréia do Sul, Japão, China, Cingapura, Indonésia, Austrália e Nova Caledônia.

 

O CONTROLE ACIONÁRIO

O capital estrangeiro detém mais de 60% das ações totais da Vale. As ações totais são divididas em duas frentes: as ações ordinárias e as preferenciais.

As ações ordinárias dão direito a voto na definição de políticas da empresa (nas decisões sobre reinvestimentos).

As ações preferenciais, têm a preferência nas distribuições de lucros, na forma de dividendos.

AS AÇÕES ORDINÁRIAS

53,3% é o percentual que está nas mãos do consórcio Valepar, o comprador e atual controlador da Vale;

29,2%  é de participação de capital estrangeiro, com direito a voto;

10,7%  é a participação de capital brasileiro, com direito a voto;

6,8%  é a participação dos cotistas por meio do FGTS, investimento, que na teoria, seria uma forma do trabalhador investir na empresa.

O controle acionário pertence ao fundo de previdência Previ(dos funcionários do Banco do Brasil), o BRADESCO e o BNDES. O BRADESCO é segundo maior acionista.

A Mitsui, empresa estrangeira, também já possui parte das ações ordinárias. 

AS AÇÕES PREFERENCIAIS

64,9%  são investimentos não brasileiros;

31,8%  são investimentos brasileiros;

3,3%  é a participação do governo na distribuição dos lucros em forma de dividendos.

Em 2005, a Companhia vale do Rio doce foi a empresa que mais distribuiu dividendos no mundo. Foram 3,1 bilhões de reais, extraído de um lucro, líquido de 10,4 bilhões de reais. Só em dividendos, a empresa distribuiu, nos últimos cinco anos, 11,4 bilhões de reais, quatro vezes o valor que foi pago no leilão.

Dividendos: parte dos lucros líquidos de uma empresa mercantil, correspondente a cada uma das ações formadoras do seu capital.

 

COMO A VALE FAZ A ACUMULAÇÃO ECONÕMICA

É muito fácil para Vale desenvolver a acumulação capitalista num país subordinado, como o Brasil.

Usa e abusa da abundância de minérios quase de graça, paga salários a valor irrisório, não paga ICMS, devido a Lei Kandir, os royalties são baixíssimos e muitas vezes não pagos corretamente, conta com incentivos fiscais para exploração mineral no Estado do Pará. E paga a energia que consome a preço abaixo do custo de produção.

Sobre os Salários:

A Vale chega a pagar R$ 750,00 para trabalhador em inicio de tempo de serviço.

A riqueza criada, em 2005, por cada trabalhador, foi de 302.700 dólares. Um trabalhador custou em média para a empresa 14.000 dólares. Portanto, cada trabalhador rendeu para empresa, 288.700 dólares. Considerando uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, o trabalhador pagaria seu salário com 6 horas de trabalho.

As despesas com pessoal representam apenas 5% dos custos totais da empresa.

A PLR(participação dos trabalhadores no lucro) vem caindo drasticamente, em 1998 representou 14,21% dos dividendos, em 2005 foi de 8,74%.

Sobre os Royalties

Os Royalties que é a CFEM – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, as empresas são obrigadas a pagar pela venda de minérios: sendo 3% para bauxita, potássio e manganês; 2% para o minério de ferro, caulim, cobre, níquel e fertilizantes; e 1% para o ouro. Este imposto é distribuído da seguinte forma: 12% para a União, 23% para os Estados e 65% para os Municípios. Em 2005 a arrecadação com CFEM foi de 1,3% do total da produção mineral brasileira. Minas Gerais ficou com 50,1%, Pará com 29,6% e Goiás com 3,7%. Os 16,6% correspondem o que arrecadou outros Estados.

Fontes consultadas:

GODEIRO, Nazareno, MOURA Efraim, SOARES Paulo, VIEIRA Valério, Vale do Rio Doce – Nem tudo que reluz é ouro. Da privatização à luta pela reestatização, ed. Sundermann, 2007, SP.

SIQUEIRA, André, O minério é nosso. Artigo, Carta Capital, edição 481.

SOARES, José Alex rego, Vale + Xstrata = Zug. Artigo, Jornal do Brasil.

PINTO, Lúcio Flávio, Jornal Pessoal, nº 411 e 415.

http://www.cvrd.com.br


A RELAÇÃO ENTRE ESTADO E EMPRESAS

17 de julho de 2010

a) Financiamento. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social é o grande agente de financiamento dos projetos minerais na Amazônia. A Vale para ser o que é hoje dependeu e depende diretamente do aporte financeiro disponibilizado pelo BNDES para os seus diversos projetos. Isto significa colocar o dinheiro público a serviço dos interesses privados. Se não fosse esta mamata a Vale nem teria sido privatizada, porque a privatização foi financiada pelo BNDES.

b)O Estado participa com as infra-estruturas. O Estado implanta as infra-estruturas necessárias para as empresas construírem seus empreendimentos: constrói rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, eclusas, hidrovias, tudo com dinheiro público, que deveria ser colocado para educação, saúde, saneamento básico, moradia e outras necessidades da população. Para a Vale implantar a siderúrgica, em Marabá, o governo do Estado Pará vai ter que indenizar a os atuais proprietários da área(retirar as famílias que ali estão com mais de 60 anos), e disponibilizar R$ 1,5 bilhão (UM E MEIO BILHÃO DE REAIS) para implantação da intra-estrutura necessária. Sempre entramos com as costas e eles com a chibata.

c) Isenção de impostos. A Lei Kandir, que isenta de ICMS “operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-acabados, ou serviços” (Art. 3º, inciso II), é o instrumento de espoliação do Estado, criado no governo de Fernando Henrique Cardoso, condenado pelo PT, mas garantido até agora. O Estado do Pará, só com a mineração, deixa de arrecadar uma boa fortuna.

d)Código de Mineração: O código de Mineração foi criado em 1940, reformulado em 1967 e alterado posteriormente por outras Leis, mas seu princípio foi sempre de favorecer os interesses das empresas mineradoras, diante do Estado e da população. “ …a jazida disputa com a propriedade superficial o predomínio sobre a área em questão, com indiscutível predominância da mineral sobre a superficial, nos precisos termos dos artigos 57, 84 e 87 do Código de Mineração”;

e) A CFEM é uma enganação: A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM, não passa de uma migalha. As empresas repassam ao Estado de 1 a 3%, calculado sobre o lucro líquido de suas operações na extração, transformação e comercialização do minério. Só que a empresa é que faz os cálculos e em muitos casos procura falseá-los. É tanto que a prefeitura de Parauapebas, através de uma auditoria, identificou uma diferença de aproximadamente R$ 700 milhões que a Vale nega em pagar.

f) Descumprimento da Lei ambiental e trabalhista. Os EIA/RIMA’s – Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto ao Meio Ambiente são precários e muitas das vezes cópias de outros projetos. As empresas se monitoram: os órgãos ambientais apenas apreciam os relatórios que as empresas apresentam, que chamam de monitoramento dos falsos programas de controle ambiental. Muitos trabalhadores são lesados, principalmente quando das rescisões de contrato de trabalho, quando das demissões. Técnicos são constantemente denunciados por cobrarem e receberem propinas, para agilizar processo ou fornecer parecer fraudulento. O Estado não conta um quadro técnico suficiente em quantidade e capacidade para fiscalizar os projetos. Não é por acaso, é porque o papel de Estado deve ser de facilitador das ações das empresas.

g) O Estado dispõe do aparato jurídico e policial. O Estado coloca a serviço das empresas o aparato jurídico e policial: quando o judiciário decide é sempre a favor das empresas, e quando as polícias se tornam guardiãs dos empreendimentos, coagindo e reprimindo trabalhadores com cassetetes, balas de borracha, bombas efeito moral e sprays de pimenta, quando reclamam seus direitos. Mesmo que os ministérios públicos atuem com as representações junto ao judiciário, este julga em favor da ordem maior, o capital.

h) O Estado faz que assume o ônus. De forma arbitrária as empresas creditaram ao Estado e ele assume precariamente o ônus dos problemas sociais e ambientais criados pelos empreendimentos, transferindo-os servidores. Os professores tem que assumir as salas de aulas superlotadas com o mesmo pequeno salário que recebem. Os profissionais da saúde não sabem o que fazer com tanta demanda e falta de condições para o atendimento. Não há saídas para superar a violência e a insegurança que toma conta das cidades e do campo.


Contradições

17 de julho de 2010

Com o excelente desempenho operacional nos trimestres anteriores(1º, 2º, e 3º de 2008), a Vale registrou oito recorde anuais de produção em 2008: níquel(275,400 mil toneladas métricas), bauxita(11,7 milhões de toneladas métricas), alumina(5,0 milhões de toneladas métricas), cobre(311,600 mil toneladas métricas), carvão(4,1 milhões de toneladas métricas), cobalto(2,828 mil toneladas métricas), paládio(231,000 mil onças troy) e ouro(85,000 mil onças troy).(Vale – Relatório de Produção 2008). Vale ressaltar que Parauapebas participou com 32% da extração nacional de ferro, que 84% do manganês foi da mina do azul, em Carajás, 100% da bauxita foi do trombetas e Paragominas, 100% da alumina e 83% do alumínio foram de Barcarena, 40% do cobre foi do Sossego e 100% do caulim foi de São Domingos do Capim. Parauapebas, em 2008, por conta da extração mineral, ocupou o 8º(oitavo) lugar dentre todos os municipios brasileiro, em contribuição para a balança comercial brasileira por município, com 3,8 bilhões de dólares, 37,13% da exportação do Estado do Pará.(Secretaria de Comércio Exterior). Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás, em 2006, estiveram entre os 10(dez) municípios mais ricos do Estado, ocupando o 3º, 4º e 9º lugar, com Produto Interno Bruto de R$ 2,9 bilhões, R$ 2,6 bilhões e R$ 700 milhões, respectivamente. Canaã dos Carajás, Parauapebas e Marabá, apresentaram 1º(R$ 50.488), 3º(R$31.320) e 5º(13.055) lugar, respectivamente, no que se refere os maiores per capita do Estado.(O Liberal, 17.12.2008). Por outro lado, saindo do que seria riqueza para a pobreza, os municípios da Área de Influência Direta(AID) da Vale (Marabá, Eldorado, Curionópolis, Parauapebas, Canaã, Outilândia e Tucumã), comparado com o Estado, apresentam os maiores índices de crescimento populacional, criminalidade, roubos, furtos, estupros e tráfico de entorpecentes.(Diagonal Urbano, 2006). O crescimento populacional nestes municípios do ano de 2000 para 2005 representou um percentual de 22,9%, com uma projeção para 2010 de 92,9%. Com um total de habitantes no ano de 2000 de 344.386, em 2005 de 423.361, e em 2010 de 817.268 habitantes.(Diagonal Urbano, 2006). Considerando taxa de ocorrência por 100.000 habitantes. Roubo: Marabá 639, no estado é de 423 ocorrências. Furto: Marabá, 661, Parauapebas, 574 a 611, Canaã, 365 a 574, e no estado é de 423. Homicídios: Marabá(95), Parauapebas(de 70 a 95), Curionópolis(40 a 70), Canaã(29 a 43), Eldorado(12 a 29), no estado do Pará é de 18,5. Estupros: Marabá(7 a 7) Parauapebas(6 a 7), Canaã(4 a 6), e no Pará é de 4,6. Tráfico de entorpecentes:Parauapebas(17 a 17), Canaã(12 a 17), Marabá(11 a 12), Curionópolis(9 a 11), no Estado é de 4,86.(Diagonal Urbano, 2006)


CARACTERÍSTICAS DA MINERAÇÃO

17 de julho de 2010

a) Curta duração: Com exceção ao projeto de extração do minério de ferro, em Carajás, todos os demais projetos tem vida útil de 20 a 50 anos, ou seja, são projetos que com 20 a 50 anos a mina se esgota. Portanto, são projetos de curta duração, o que significa que não mais do que em um século toda nossa riqueza mineral terá ido embora.

b) Desestruturação sócio-econômica do campo e da cidade: Com a expectativa criada da geração de muitas oportunidades de empregos diretos e indiretos há um esvaziamento do campo e inchaço das cidades, com o deslocamento das pessoas, através de migrações internas e externas. Para a cidade sede do município aonde vai se implantar o projeto migram pessoas de todas as regiões do Estado e de outros Estados. Em Ourilândia do Norte, numa primeira etapa, com retirada de 83 familias de dois projetos de assentamento, a Vale desestruturou a produção de leite e de cacau, inviabilizou o funcionamento de escolas, postos de saúde e transporte de passageiros.

c) Perda de territórios: As áreas das comunidades rurais que até então eram projetos de assentamento são ocupadas pela mineração, são atravessadas por rodovias, ferrovias, linhas de transmissão de energia, minerodutos, barragens para capitação de água e contenção de rejeitos e, por pilhas de rejeitos tóxicos que se tornam montanhas nos antigos vales.

d) Abertura de enormes crateras: Com a retirada do minério e agregados são destruídas enormes serras e a é área transformada em enormes crateras. No caso do projeto Salobo, com a extração do cobre, no município de Marabá, vai ser formada uma cratera de 2.000 metros de comprimento, por 800 metros de largura e, 520 metros de profundidade. Na região sudeste já são enormes crateras deixadas pela extração de ferro e manganês na Serra dos Carajás e na Buritirana, e pela extração de cobre do projeto Sossego. Temos mais os projetos em implantação: 118, Salobo, Cristalino, Alemão e Níquel do Vermelho. No sul, em exploração temos ferro e Ouro nos municípios de Floresta do Araguaia e Rio Maria, e em implantação temos o Níquel em Ourilândia. Em fase de Pesquisa temos: Xinguara, Tucumã, Água Azul, Santa Maria das Barreiras e Conceição do Araguaia.

e) Desmatamento: O desmatamento inevitável é feito pela derrubada da floresta na área da jazida, onde vai ser retirado minério, em áreas para construção de alojamentos, estradas, passagem de redes de transmissão de energia, usina de transformação do minério, barragens, oficinas, pátios de depósito de minérios, e locais para formação da pilhas de rejeitos tóxicos. No caso do Salobo serão derrubados 3.600 hectares de floresta nativa. Só para alagamento de estrada e construção de linhas de transmissão, serão derrubadas mais de 300 castanheiras, na Floresta Nacional do Tapirapé Aquiri, onde os índios Xikrins fazem coleta da castanha. Em Juruti a Alcoa vai derrubar 5.000 hectares de floresta densa, formada por castanhais, madeiras de lei, frutíferas(açaí, bacaba, cupu, uxi, piqui, bacuri…) e oleaginosas(andiroba, copaíba…).

f) Especulação imobiliária: A iniciativa provoca uma grande especulação imobiliária, com aumento do preço das terras no campo e na cidade. Aumentam de forma absurda os preços de imóveis para venda e aluguel, como também o preço dos terrenos, até então desocupados, mas apropriados. Surgem vários loteamentos particulares, a construção de condomínios, kitnets e prédios. A especulação avança sem dó. Parauapebas pode servir para um grande laboratório de estudo deste fenômeno.

g) Elevação do custo de vida: Como há um aumento populacional e necessariamente a procura por mais gêneros de primeira necessidade, principalmente alimentos, os comerciantes elevam os preços dos produtos, sacrificando mais ainda a população de renda mais baixa ou sem renda fixa. O preço do material de construção vai para as alturas. Funcionários públicos, agricultores e biscaiteiros são os que levam a pior. Até porque boa parte dos produtos que compõem a sexta básica são importados de outras regiões. Mesmo a carne bovina teve seu preço elevado devido a presença dos frigoríficos que exportam quase toda a produção.

h) Aumento do índice de desemprego: Como há uma propaganda enganosa, muito grande, de que está chegando o progresso e o desenvolvimento com a geração de muitos empregos, a corrida para estes locais também é muito enorme, aumentando de forma acelerada a população. Como o número de emprego é limitado, principalmente para profissionais qualificados, muitos dos que chegam se somam àqueles que já estão desempregados, formando um verdadeiro exército de reserva, para fácil exploração das empresas, com oferta de baixos salários. E a geração do maior número de empregos se dá no período de implantação do empreendimento, na etapa de operação as oportunidades são para administrativos e especialistas. No caso de Ourilândia, no pico da obra estiveram na ativa, em três turnos, até 7.000 trabalhadores, na operação vão ser apenas 890.

i) Aumento da desigualdade: O projeto gera um pequeno grupo de beneficiários(politiqueiros e comerciantes de diversos ramos de atividades) e grande número de necessitados, entre eles, alcóolatras, pobres, e miseráveis. Num ambiente marcado pela elevação do índice de criminalidade, prostituição, roubos, furtos, estupros e tráfico de drogas;

j) Poluição: A poluição, embora negada pelas empresas, é de toda ordem: do ar, da água, do solo e sonora. A poluição do ar se dá por conta de poeiras produzidas com tráfego de veículos, o movimento de máquinas revirando o solo e por fumaças de dinamites usadas para detonar as rochas. A poluição do solo e das águas se dá pelas substâncias provenientes do processo de extração e transformação do minério. A poluição sonora se dá por ruídos provocados por veículos, máquina e equipamentos, e pelo som das dinamites. Outro fator considerável é o prejuízo causado aos moradores com deterioração das casas com a trepidação causada pelas explosões para destruição das rochas. Só da mina do Sossego, em Canaã dos Carajás, é previsto ser descartado todos os anos mais de 13 milhões de toneladas de material estéril, dos quais 1,5 milhão contendo produtos químicos tóxicos . É quase uma centena de trabalhadores que reclamam indenização pelos prejuízos e negado pela Vale.

k) Exploração intensiva dos recursos naturais e da força de trabalho: As empresas depois de instalarem-se trabalham num ritmo de 24 horas direto todos os dias, com turnos e dobra turnos. Com isto os recursos naturais são extraídos numa velocidade muito grande. O projeto de extração de ferro era para trabalhar numa capacidade de exportação de 34 milhões de toneladas por ano. Em 2009 foram exportadas 98 milhões de toneladas e a meta é chegar ao ano de 2012 com uma exportação de 200 milhões de toneladas. É tanto que os trens que se movimentavam com 205 vagões agora estão com 330, com capacidade para 105 mil toneladas cada vagão. Os trabalhadores tem que se valer da hora extra para melhorar seus rendimentos.

l) Exportação de minérios e semi-acabados: Para atender as ordens do capital internacional, com a produção mineral no Estado do Pará, as empresas se submeteram a função de serem apenas exportadoras de minérios e de semi-acabados(concentrados de cobre, ferro gusa, alumina e alumínio). Com isto possibilita a acumulação de riqueza fora da área onde ocorre a matéria-prima, o minério. Com isto o Brasil e o povo brasileiro são roubados. O minério exportado voltará ao Brasil em forma de produtos acabados, com um preço muito mais elevado, depois de ter gerado trabalho e renda em outras nações.

m) Dependência da demanda externa: Atendendo a este modelo, sem se desenvolver tecnologias para transformação da matéria-prima em nosso território, cria-se uma dependência externa, que qualquer crise na economia mundial abala diretamente o setor, tendo com principais prejudicados os trabalhadores. Vários projetos da Vale foram paralisados e o pólo siderúrgico de Carajás quase para totalmente. Muitos trabalhadores foram demitidos e outros tiveram as horas extras cortadas e salários reduzidos. Para salvar as empresas e seus acionistas continuarem com bons lucros.


O Sul e Sudeste Paraense

8 de julho de 2010

São quase quatro décadas, a contar de 1970, que esta região virou palco de disputas constantes de espaços para diversos tipos de projetos: agricultura camponesa, pecuária, exploração madeireira, siderurgia, mineração, monocultura de eucalipto e construção de hidroelétricas.

Mesmo com muitas dificuldades os agricultores conseguiram transformar latifúndios em Projetos de Assentamentos, ocupando terras e pressionando os órgãos públicos para desapropriação de extensas áreas de latifundiários. São em torno de 500 projetos de assentamentos, onde vivem e trabalham quase 80.000 familias, no sul e sudeste do Pará.

A partir da década de 80, com a inauguração da ferrovia Carajás/Ponta da Madeira e da hidroelétrica de Tucuruí, inicia-se a primeira fase do projeto ferro de Carajás, pela Companhia Vale do Rio Doce, para ser preciso, em 1985.

Hoje a província mineral de Carajás, considerando as regiões do sul e sudeste do Estado, é espaço de expansão da exploração mineral, não mais apenas pela Vale, como também por outras empresas, que desenvolvem atividades de ou para extração de ferro, ouro, manganês, cobre, níquel.

A mineração, em fase de pesquisa, extração ou implantação de usinas de transformação, se faz presente nos municípios de Marabá, Curionópolis,

Parauapebas, Canaã, Xinguara, Rio Maria, Floresta do Araguaia, Santa Maria das Barreiras, Conceição do Araguaia Água Azul, Ourilândia do Norte, Tucumã e São Félix do Xingu.

O mais preocupante é que todas as atividades desenvolvidas envolvem áreas de agricultores, seja a extração mineral, a construção de usinas de transformação, estradas, barragens de contensão de rejeitos e linhas de transmissão de energia elétrica. Já falam na construção de um GASODUTO que atravessará a reserva indígena dos Gavião,  em Bom Jesus, para atender a siderúrgica a ser construída pela Vale em Marabá.


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