Seminário sobre os Impactos da Mineração no Sudeste Paraense

Apresentação da Peça 'Que trem é esse?' no Bairro da Paz

Já era perto das nove horas quando começou o ‘Seminário sobre os impactos da mineração no sudeste paraense’. Para participar do evento estiveram presentes estudantes do Ensino Médio, estudantes universitários, professores e professoras, militantes de movimentos sociais e agentes de pastorais sociais.

Na mesa de abertura lá estavam eles e elas: CEPASP, CPT, Movimento Debate e Ação e UFPa, reafirmando a importância do esforços realizado em conjunto no intuito de compreender os impactos provocados pela mineração na região. Temática que apesar de preocupante, pelos vários conflitos que tem causado, pouco tem chamado atenção dos intelectuais da universidade.

Em uma outra mesa para discutir sobre o avanço do capital na região, estiveram presentes Raimundinho – CEPAPS, Charles Trocate-MST e Pe Dário – Justiça nos Trilhos. Tivemos uma ‘baixa’, José Batista – CPT, que ficou impossibilitado de participar, pois se fazia presente em uma Audiência no INCRA.

Raimundinho explanou sobre a forma predatória que o capital avança sobre a região, e iniciou sua fala seguindo o raciocínio de um trabalho, ainda em fase de construção, denominado ‘Da Floresta ao Aço’ em que pretende analisar as relações na sociedade do sudeste paraense, a partir da categoria trabalho, desde os tempos dos castanhais até os dias atuais.

Charles Trocate, com seu jeito de poeta, inicia com uma poesia, depois fala sobre a atual fase do capitalismo, iniciado a partir da segunda guerra mundial, que representa um ataque cruel ao planeta terra, seus recursos naturais e superexploração da força de trabalho, através do imperialismo ecológico. E afirma que a humanidade está afundada em uma enorme crise econômica, ambiental e de paradigma.

Pe Dário demonstrou o crescimento da Vale nos últimos tempos, lembrando que esse crescimento só foi possível mediante as várias injustiças que a empresa comete por onde ela passa, seja cometendo crime ambiental, trabalhista, fiscal, ou outros crimes contra a humanidade, como a expulsão de trabalhadores de suas terras e outras violações dos direitos humanos.

No período da tarde em diante, quem entrou em cena foi o atrevimento da moçada da fronteira. Estudantes do Curso de Ciências Sociais do Campus de Marabá da UFPa, articulados no Movimento Debate e Ação, apresentaram os estudos realizados no PA Belo Vale(Marabá), em Canaã dos Carajás e  na Vila Sanssão(Parauapebas). Estudos realizados juntamente com o CEPASP e com apoio da CPT, UFPa e Prefeitura de Parauapebas.

A noite teve a apresentação da Peça ‘Que trem é esse?’, do grupo de Juventude pela Paz – JUPAZ, de Açailandia, com direção de Chico – estudante de Teatro em Imperatriz. A peça traz à luz os vários conflitos causados ao longo do corredor de Carajás. Marabá é apenas uma das cidades, nos planos dessa turma, para apresentação da peça, outras cidades ao longo do ‘corredor’ também terão o prazer de apreciar o belo trabalho realizado por essa moçada.

O atrevimento desses meninos e meninas da fronteira, demonstra o potencial crítico da região. Os primeiros criticam a própria universidade no que tangem a produção de conhecimento, e mostram que não são só mestres e doutores que podem fazer pesquisas, mas que estudantes também tem condições de realizar boas interpretações, necessitando apenas de um pouco de incentivo. ‘Os segundos’ também seguem o mesmo raciocínio de que o teatro e a arte devem ter outro papel na sociedade, que é o de denúncia de injustiças, visualizando uma sociedade com justiça e paz.

É nesse contexto que essa moçada atrevida se encontra, se mostram e trocam experiências. E juntas, unem forças, e desobedecem a ordem do dia – que é de não contrariar o capital – e enquanto os capachos das corporações propagandeiam pseudo-benefícios com o discurso do desenvolvimento e do progresso.

Não ficou por aí, no sábado, com apoio do CEPASP, do Movimento Debate e Ação, Pastorais Sociais e moradores dos bairros, pela manhã, foram feitas visitas aos bairros da Coca-Cola e do Km Sete, para confirmar os problemas causados às populações das áreas, pelo tráfego na ferrovia que possibilita o transporte do minério de Carajás à são Luis. São casas rachadas, telhados desmontados pela trepidação e ruídos constantes.

À tarde, às dezessete horas o grupo JUPAZ fez outra apresentação da peça teatral, desta vez no bairro da Paz, uma ocupação urbana no complexo integrado dos bairros da Cidade Nova, um dos locais visitados quando da realização da pesquisa para a produção da peça.

Como na fronteira vivemos de guerra e prazeres, a gente bate, apanha, mas também  confraterniza, encerramos a programação com uma confraternização que durou até às vinte e duas horas e trinta minutos, para os que partiram de volta ao Maranhão.

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Um comentário sobre “Seminário sobre os Impactos da Mineração no Sudeste Paraense

  1. oi!!! meu nome é Danielle, eu estudo na Escola Estadual Liberdade. participei do seminario e achei muito legal, é assunto preocupante demais, agente acha que é nossa responsabilidade, por se colocar no lugar de contribuinte ativo… e é nossa redpoasabilidade, o problema é que muitos naum podem fazer muito. a preocupação e indignação maior vem depois que assisitimos aquele filme, é uma situação real, acontece e mesmo agora. a Vale é grande, po´rem naum ker dizer que ela seja uma favorável do povo. ela sim, é uma problemática imensa……xau xau.Fikem com Deus e PARABÉNS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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