A EPE falou, mas não disse nada

A Empresa de Pesquisa Energética- EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia esteve em Marabá, no hotel Itacaiunas , na noite do dia 18 de outubro, para apresentar uma avaliação ambiental integrada da bacia do Rio Araguaia, para a construção de uma barragem hidrelétrica.

O encontro denominado de “Seminário Público” contou com pouco menos de 20 pessoas, sendo que a maioria ligada a própria EPE e a Engevix Engenharia, empresa que assessora o projeto.

Os restantes foram os poucos que ficaram sabendo sobre o evento, por meio da sofrível divulgação. Alguns professores da Universidade Federal do Pará -UFPA, membros do Movimento Atingidos por Barragem- MAB, estudantes e um representante do Ministério Público de Marabá.

“Os milhares de atingidos pelo projeto sequer ficaram sabendo e não debateram sobre seu próprio futuro”, ressaltava Rogério, militante do MAB. A considerar pelos dados extremamente técnicos, Aroldo, professor do curso de Educação do Campo na UFPA, indagou os representantes da EPE sobre como realmente debater o projeto “se é entendível por poucos pelo modo que é apresentado”.

Aliás, os futuros atingidos foram lembrados apenas quando os slides falavam de atraso na região e da ação predatória do homem, como o desmatamento, as margens do rio Araguaia, se referindo aos ribeirinhos, índios e assentados como responsáveis. Situação essa que seria resolvida com o projeto. Já quando os slides falavam de prosperidade e crescimento econômico, com a efetivação da barragem, ilustravam as argumentações com fotos do gado branco.

Assim, quando os presentes lançaram uma critica política ao projeto, como “para quem seria e para quem serviria”, Flávia Serram, umas das técnicas da EPE solicitou diversas vezes à empresa que registrava o acontecimento, gravando áudio e vídeo, que desligasse seus equipamentos para o debate político e gravasse apenas as dúvidas técnicas.

Algo que causou constrangimento entre os presentes. Talvez Serram, fez a tal solicitação, por ficar perturbada, quando Bruno Malheiros, professor de Geografia da UFPA considerou pífia a apresentação e o modo “goela abaixo” de se colocar o projeto. O professor ainda riu, assim como todos, ao escutar de um dos técnicos da mesa de que se a população “não quiser, o projeto não sai”.

Com um viés extremamente ideológico, escondido em dados técnicos, a EPE e a numerosa platéia de engenheiros da Engevix Engenharia, burlaram dados e, ainda, desconsideraram estudos importantes sobre a baixa produção de algumas hidrelétricas, “que se estivesse funcionando em sua potência máxima, pouparia milhares de famílias que vivem as margens do rio
Araguaia amanhã” disse Rogério.

Por fim, ao encerrar uma apresentação que sequer teve aplausos, um dos técnicos da EPE disse, “é isso aí pessoal, precisamos dormir, pois temos outros seminários públicos para fazer. Obrigado”.

http://www.mstpara.com.br/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s