Pesquisas em plataforma continental despertam interesse de empresas

Rafael Rosas | Valor
22/10/2010 17:15

RIO – O CPRM, empresa pública que tem atribuição de Serviço Geológico Brasileiro, enxerga um grande potencial de mineração de fertilizantes na plataforma continental brasileira. Em 2010, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) já recebeu mais de mil requerimentos para pesquisa geológica em áreas do litoral. Cerca de 80% desse total correspondem a pedidos para pesquisa de sais de potássio existentes na camada de sal que protege os reservatórios do pré-sal e que poderiam ser utilizados para produção de fertilizantes.

O elevado número de requerimentos mostra um forte crescimento no interesse pela pesquisa mineral na plataforma continental brasileira. Entre 1987 e 2007 o DNPM recebeu o total de 150 pedidos para pesquisa no mar, número que saltou para 80 apenas em 2008, 700 no ano passado e já passou os mil só entre janeiro e outubro.

“As áreas mais procuradas para sais de potássio vai do sul da Bahia ao Espírito Santo, dentro do sal que está acima do pré-sal”, frisou Kaiser Gonçalves de Souza, chefe da divisão de geologia marinha do CPRM, que participou de palestra na Câmara Britânica de Comércio (Britcham), no Rio de Janeiro. “É importante identificar jazidas no mar. Podem não ser viáveis economicamente agora, mas chegará o momento em que serão viáveis”, acrescentou.

Souza ressaltou que os requerimentos foram feitos por uma empresa canadense e outra brasileira, cujos nomes não foram revelados pelo executivo. Ainda não há exploração comercial de recursos minerais – exceto óleo e gás – no litoral brasileiro, mas o executivo destacou que já há explorações em países como Nova Guiné, com sulfetos polimetálicos; Estados Unidos, com ouro no Alasca; Indonésia, com cassiterita; África do Sul e Namíbia, com diamantes; e França, com carbonatos.

No Brasil, a camada de sal chega a aflorar no leito marinho em alguns pontos nos litorais da Bahia e Espírito Santo, segundo Souza. Seriam feitas pesquisas nesses pontos para determinar o potencial das jazidas. Uma vez obtido o requerimento, uma empresa tem até três anos para realizar as pesquisas, mas Souza explicou que o novo marco regulatório para o setor deverá mudar o prazo.

Outra possibilidade para a plataforma continental brasileira é a mineração de diamantes, com possíveis reservas em frente à foz do Rio Jequitinhonha, na Bahia. Nesse caso, uma empresa – cujo nome também não foi revelado – pediu diversos requerimentos para pesquisar a área.

(Rafael Rosas | Valor)

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