Mineração atrai cada vez mais migrantes

O Liberal – ORM

EXPOS IBRAM

Sustentabilidade vai ser tema de debates para o congresso do setor no fim do mês

O número de imigrantes que atravessam as fronteiras do Pará deve receber um aumento homérico nos próximos quatro anos. Se hoje, 17% da população do Estado não é paraense – segundo dados do IBGE -, até 2014 este índice deve ultrapassar a casa dos 20%. A justificativa está na expansão da principal expertise do Pará na balança comercial: o setor mineral, que receberá uma alavancada de investimentos no próximo quadriênio. A previsão, segundo dados do  Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), é que US$ 39 milhões sejam aplicados em diversas regiões do Estado até 2014. Com a injeção de recursos, o Pará deve ampliar a capacidade de exportação dos produtos da cadeia mineral – que já é a maior da Amazônia Legal, e a segunda maior do País – e ultrapassar os US$ 4,7 bilhões exportados em 2009, quando 91 milhões de toneladas foram comercializadas junto aos mercados externos. Com a possibilidade de um futuro próspero, o setor mineral brasileiro tem, entre outros desafios, o de produzir riqueza com o uso racional dos recursos disponíveis, respeitando o meio ambiente, com responsabilidade e promoção social. Em outras palavras: assegurar a sustentabilidade nas atividades produtivas desenvolvidas na Amazônia, berço de importantes ecossistemas. Os dados levantados pelo Ibram mostram que, no Pará, a mineração empresarial ocupa uma das principais posições entre os setores que mais geram divisas e empregos nos municípios onde os projetos são implantados e nas áreas circunvizinhas – além de desenvolver programas referenciais de preservação e conservação ambiental em harmonia com suas operações industriais.

Conforme avalia o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-PA), Eduardo Costa, o Pará não está preparado para as mudanças. “Isso vai se refletir no inchaço das cidades. Teremos um processo crescente de favelização, além de sobrecarga dos serviços públicos”, explica. O presidente materializa em números a sua justificativa. “Parauapebas tem hoje cerca de 150 mil habitantes. Estudos demográficos demonstram que, em quatro anos, a cidade terá mais de 300 mil habitantes. Para se ter uma ideia dos fatos, pelo trem da Vale chegam mais de 250 pessoas por dia, advindas do Maranhão”, assegura. Costa afirma que, as taxas de crescimento expressivo, ao mesmo tempo em que abre o leque de emprego, também atraem pessoas em busca de novas oportunidades. “Isso gera uma série de impactos sociais, além da necessidade da presença do Estado, com o objetivo de mitigar estes impactos”, comenta.

Outro fator que deve ser encarado como primazia, segundo avalia Eduardo Costa, é a elaboração de um plano de desenvolvimento para as regiões de influência da mineração, que precisa abarcar toda a cadeia produtiva mineral, propiciando a diversificação da economia local. “O Pará, tradicionalmente tem uma economia mineira. Grande parte das exportações e do PIB advém do setor extrativo mineral. Dada esta importância, é possível encontrar alguns entraves, dentre os quais vale destacar a baixa internalização da renda gerada e diversos impactos socioambientais”, diz. Vislumbrando prováveis soluções para o problema, Costa faz uma avaliação do papel da iniciativa privada, que precisa estabelecer parcerias com as grandes mineradoras, de modo que haja priorização dos fornecimentos de produtos e serviços. “As empresas locais, assim como a mão-de-obra precisam ter preferência. É necessário realizar um pacto com a sociedade paraense”, assegura.

DISCUSSÃO

Para ampliar o debate relativo a sustentabilidade e ao desenvolvimento do setor mineral na Amazônia Legal, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) vai realizar este ano, em Belém (PA), a segunda edição da “Exposibram Amazônia”, compreendendo a 2ª Exposição Internacional de Mineração da Amazônia e o 2º Congresso de Mineração da Amazônia. O evento acontecerá de 22 a 25 de novembro no Hangar, e terá por tema maior “A Natureza Sustentável da Indústria Mineral”. Assim como em 2008, a Exposição e o Congresso vão reunir este ano lideranças empresariais, dirigentes da mineração, fornecedores do setor, especialistas, acadêmicos e estudantes, além de destacados gestores públicos.

A iniciativa do Ibram ganha importância tendo em vista que as mineradoras investirão US$ 28,5 bilhões no Norte brasileiro até 2013 em projetos novos e na expansão de suas plantas. É, portanto, a região que receberá a maior parte dos investimentos planejados pela mineração para todo o Brasil no período, segundo levantamento do instituto – total de US$ 47 bilhões. O IBRAM espera a participação maciça de empresas mineradoras e fornecedores de  equipamentos, máquinas e serviços, bem como de outros players que tenham especial interesse em conhecer melhor as perspectivas da mineração.

 

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