DERRUBANDO O PRÍNCIPE DA BURGUESIA

A experiência diz que a acumulação econômica se faz através da dominação de poucos com a exploração e desgraça da grande maioria, portanto os benefícios da acumulação são usufruídos sempre e sempre por uma minoria. Mas esta acumulação só é possível porque há uma subordinação consensuada por muitos dos explorados que imaginam um dia chegar a condição de exploradores.

Na Amazônia a acumulação está pautada na apropriação dos recursos naturais de forma espoliatória e predatória, no uso da força do poder do Estado garantido através de seus aparatos jurídicos e policiais, pela manipulação dos ideais da população através do discurso do progresso e do desenvolvimento, e com a exploração intensiva da força de trabalho.

O resultado tem sido a degradação ambiental e social, com a poluição do solo, do ar, da água, desmatamento da floresta, criação e ampliação de assentamentos populacionais nas periferias de cidades, com ampliação da criminalidade, prostituição, roubos, furtos e tráfico de drogas.

As famílias residentes nas regiões de mineração estão perdendo suas crianças e adolescentes, para os agenciadores da prostituição, da criminalidade, dos roubos e furtos e do tráfico de drogas, por ausência do Estado com políticas que garantam o bem estar da população.

Os trabalhadores que conseguem  contratos para os postos de trabalhos ofertados pelas empresas,  tem que se submeterem a uma carga horária de trabalho exaustiva para que seus vencimentos sejam suficientes para suas sobrevivências,  diante dos altos custos de vida com moradia, alimentação, educação, tratamentos de saúde e divertimento.

Em Carajás, sudeste do Pará, onde a Vale é proprietária da maior jazida de minério de ferro do mundo, além do domínio sobre os minérios de níquel, cobre e ouro, nestes vinte e cinco anos a empresa produziu centenas de lesionados físicos e mentais. Na vila permanente da Vale, em Carajás, e na cidade de Parauapebas residem para mais de cem pessoas lesionadas e não reconhecidas pela empresa.

A bacia do rio Itacaiunas que já vem sendo ameaçada desde meados da década de 1970, com a expansão da pecuária na região, agora, com a mineração, a sua degradação é um fato real. O projeto Sossego, em Canaã dos Carajás, está poluindo o rio Parauapebas, o projeto Salobo vai poluir e destruir os igarapés Salobo e Cinzento, além de pequenos córregos e nascentes que já estão sendo destruídos. O projeto Onça Puma, em Ourilândia do Norte, já está poluindo o rio Catete, criando problemas para os índios Xicrins.

A maior contradição se expressa quando comparamos as desgraças vividas pelas populações que disputam migalhas nas Áreas de Influência Direta e Indireta da Vale, com os números dos fabulosos lucros que geram a felicidade de seus acionistas, dos quais 70% estão fora do Brasil.

“Recordes não foram só na receita global da Vale, que passou de US$ 9,9 bilhões no 2º trimestre para US$ 14,5 bilhões no terceiro. O lucro líquido cresceu 63% no período, pulando de US$ 3,7 bilhões para US$ 6 bilhões, o maior de todos os tempos. Os investimentos foram de US$ 14 bilhões; o retorno aos acionistas chegou a US$ 5 bilhões e a empresa ainda aplicou US$ 2 bilhões na recompra de suas ações, demonstrando que crê no futuro. O preço médio da tonelada de minério de ferro no 3º trimestre deste ano foi de US$ 126 (contra US$ 92 no trimestre anterior), mas o melhor minério chegou a US$ 148. Quando tem mais de 62% de hematita contida, o minério tem ganho de qualidade e mais US$ 6 por cada 1% adicional de hematita. O teor do minério de Carajás é de 66%. Essa riqueza permite à Vale um ganho de US$ 21,60 por tonelada de Carajás, margem que supera o ganho do concorrente australiano (de US$15 por tonelada de frete) no mercado asiático, por sua muito maior proximidade física.”(Lucio Flávio Pinto,Jornal Pessoal, Out/2010).

Mas a estratégia da Vale não está só na receita e geração de lucros mas também no domínio da logística(mina, ferrovias e portos), como também na aquisição, por compra, de grandes extensões de terras, em torno de seus projetos minerários.

Em Canaã dos Carajás, para implantação dos projetos Sossego, 118, Níquel do Vermelho, Cristalino e Serra sul, a quantidade de terras que a Vale já comprou é em torno de 50.000 hectares, terras de agricultores e fazendeiros.

No caso do projeto Serra Sul ou Projeto Ferro Carajás S11D, em fase de implantação, a vale vai precisar de uma área de 1.500 hectares para implantação de suas infra-estruturas, mas já comprou, de várias pessoas, uma área correspondente a 5.000 hectares, e continua vistoriando outras grandes áreas para comprar.

E o que faz Estado? Devido as relações cada vez mais do “toma lá da cá” – mediocridade de quem se vende para superação de seus interesses – praticadas pelos seus governos e parlamentares, principalmente em época de eleições, se torna impotente para cobrar das empresas posições positivas que vá além da migalha de 1 a 3% do lucro líquido que são repassados como Compensação Financeira por Exploração Mineral.

Por esta prática “vai enfraquecendo os instrumentos estatais de controle e regulação, tornando a esfera pública um espaço impotente cuja própria forma é incapaz, não apenas pela falta de vontade política, mas principalmente pela completa ausência de forças e formas organizativas que possam confrontar as corporações e seus poderes supranacionais. O velho Estado burguês parlamentar é demasiado fraco para lutar contra a nova burguesia, que dele se usa, comprando-o e chantageando-o conforme suas necessidades”. (Marildo Menegat).

Portanto, se faz necessário entendermos que para dar um basta a este modelo que se sustenta pelo saque de nossas riquezas, pela exploração dos trabalhadores, com a degradação social e ambiental, não devemos esperar dos deusas e nem do Estado(executivo, legislativo, judiciário, forças armadas e polícias), mas sim das forças organizadas da população brasileira.

Nas regiões, temos a obrigação de organizar as resistências e os enfrentamentos ao avanço do Capital, selvagem e destruidor, que dissemina a alienação, a desagregação social e a barbárie, para enfraquecimento e desmonte das lutas dos povos.

Em “Dias e noites de amor e de guerra”, livro de Eduardo Galeano, trabalhadores,  trabalhadoras e estudantes, sejamos todos companheiros, camaradas, lutadores e lutadoras, não só enfrentando o explorador mas destruindo seu instrumento de exploração, o príncipe da burguesa.

Pátria Livre!

Venceremos!

Marabá-Pa, 15 de novembro de 2010.

Coletivo Amazônida de Formação e Ação Revolucionária – cafar_cafar@yahoo.com.br

 

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