Alcoa em Juruti: mais um crime contra a humanidade. I

Alcoa Inc., empresa norteamericana que atua no Brasil há mais de quarenta anos, com projetos de redução de alumínio em Poços de Caldas(MG) e São Luis(MA), com participação no consórcio para construção da barragem de Estreito, no rio Tocantins(MA/TO), e a partir do ano de 2003 está se instalando em Juruti(PA) para extração de bauxita, com possibilidade de implantação de usinas para produção de alumina e alumínio. Atua na transformação da bauxita em consórcio com a Alumar e BHP Billinton. É a segunda maior fábrica de metal primário da América Latina, com a produção anual de 440 mil toneladas de lingotes. No mundo opera com 228 empreendimentos em 32 países.

Juruti, município localizado no Oeste do Estado do Pará, na margem direita do rio Amazonas, na mesoregião do baixo amazonas e microregião de Óbidos, que até o ano de 2000 tinha uma população de 31 mil habitantes, sendo 60% na zona rural, hoje conta com uma população de quase 40 mil habitantes, sendo 5 mil envolvidos nas obras da Alcoa executadas por várias empreiteiras, na implantação de infra-estruturas. A cidade sede do município não conta com saneamento básico, o esgoto é a céu aberto, com precário fornecimento de água feito pela COSANPA, com elevado índice de acidentes de trânsito, prostituição, criminalidade e tráfico de drogas.

Crime, por tratar-se de um ato digno de repreensão e castigo; Ato considerado, de conseqüências funestas e desagradáveis; o que a Alcoa está praticando com a implantação do seu projeto e vai praticar com a execução.

Humanidade, por considerar-se que a natureza humana será também diretamente afetada pelas conseqüências perversas que serão produzidas pelo projeto, não apenas de modo local, mas universal

O PROJETO

O projeto inicial, sem levar em conta a usina de transformação, contará com o sistema: mina, ferrovia e porto. A mina está localizada numa área de floresta densa, nas cabeceiras do lago Juriti Grande, caracterizada por três platôs. A ferrovia atravessa dois projetos de assentamento de agricultores, criados pelo INCRA- Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária,um deles é o Socó, com 420 familias, das quais 43 tiveram seus lotes atravessados pela ferrovia, receberam por indenização R$ 0,24/metro quadrado, por força de um acordo entre o sindicato e a empresa, enquanto reivindicavam R$ 3,00. O porto está colado à cidade sede do município de juruti, de onde tiveram que expulsar várias famílias estruturadas social e economicamente, do bairro Terra Preta.

O consumo de energia está previsto em 25 MW, sendo 20 MW mina/planta e 5MW no porto, ou 160 Gwh/ano. As águas, que serão captadas do igarapé Juruti Grande, serão consumidas em torno de 5.500 metros cúbicos por hora, com uma recirculação passando pela bacia de rejeitos com uma vazão de 504,8 metros cúbicos por hora. Serão consumidos 9.200 metros cúbicos de combustíveis e lubrificantes por ano. Serão construídas barragens de rejeitos ao longo dos vales.

A área de influência, que corresponde às porções territoriais suscetíveis de forma direta e indireta, soma 655.907,18 hectares, sendo 172.836, 29 há de Área de Influência Direta – AID e 483.070,89 de Área de Influência Indireta – AII. Na AID, serão atingidas 55 comunidades, com 15.000 pessoas, distribuídas em igarapés e lagos: lago Curumucuri(7),lago Preto(2), estrada translagos rio Branco(3), cabeceira do rio Branco(2), Parma do Balaio(2), lago Piranha(1), igarapé Araçá Preto(1), lago juruti Mirim(6) igarapé Juruti Grande(28), lago do Salé(1), lago Parintinzinho(1), cabeceira do igarapé Marajá(1).  A principal comunidade é chamada de Muirapinima, ou Juruti Velho, onde até a pouco tempo foi a sede do município, com 2.000 habitantes, uma escola de ensino fundamental e médio, uma unidade mista de saúde, com médico permanente, um micro-sistema de abastecimento de água, um centro comunitário e um campo de futebol onde são realizados os jogos dos times da comunidade e de outras quando da realização de torneios.Eles tem como seus ancestrais os índios Mundurucus e Murapinimas, e as primeiras famílias de não índios que chegaram para Juruti Velho, em 1818, que constituíram as comunidades de: vilaVinente(cabeceira do mocambo), vila Muirapinima, Capiranga, Suval, Pompom, Juruti Miri, Nova União, Pau D’arco, Prudente, Maravilha, Alemanha e Germano. Hoje os mais velhos destas comunidades estão com as idades que vão de 59 a 90 anos. Em 2001, na comunidade Surval, foi feito contato com dona Tereza Rodrigues, com a idade de 110 anos. A população de adultos e idosos representa 61,3% destas comunidades, e crianças e jovens 38,7%. Homens 59,15 e mulheres 40,9%.

A AID atinge todo o Projeto de Assentamento Agroextrativista, criado pelo INCRA, com uma área de 109.000 hectares, 40 comunidades, 1.900 familias e 9.000 pessoas. A população vive da mandioca(farinha), extrativismo(castanha-do-pará, óleos, madeira, cipó e palha), pecuária(pequena quantidade) e pesca. A vegetação: floresta(65,5%); áreas antrópicas(23%): capoeira(9,8%), pastagem(1,9%) e agricultura(12,1%); rios e lagos(10,7%). A diversidade da vegetação: dos estudos feitos na região, de 12 amostras, em 7 localidades, somaram até 226 espécies na localidade de Mutum, em áreas de várzea e terra firme. Confirmou a existência de 3.615 indivíduos, 256 famílias, 531 gêneros e 489 espécies. Apenas 11% das espécies foram comuns entre as áreas amostrais. Espécies em extinção: castanha-do-pará, pau-cravo e pau-rosa. Vegetação de 35-40 metros de altura com 100 cm de diâmetro sobressai: canaranapanaúba, mata-matá, castanheira, Angelim pedra, aquariquara, mandioqueira e andiroba, De 20 -25 metros de altura, com 45-70 cm de diâmetro: itauba, pau d’arco, guariuba, ucuúba, jutaí e pau-cruzeiro.

A área de lavra do minério está localizada nos platôs Capiranga, Mauari e Guaraná. As áreas de instalação das estruturas  de beneficiamento e do sistema de transporte do minério, são: igarapé Juruti Grande e tributários, a partir de seu trecho represado(a montante da comunidade Ordem) até sua foz no rio amazonas; margem direita do rio amazonas, no trecho compreendido entre a serra de Parintins na porção contínua no estado do Pará(a montante) e a sede urbana do município de Juruti, inclusive(a jusante); e a sede urbana do município de juruti e entorno, incluindo o lago Juruá.

A Área de Influência Indireta compreende a bacia hidrográfica do igarapé juruti grande; bacia hidrográfica do rio Aruã até a cabeceira do Aruã; bacia hidrográfica do rio Branco, estendendo-se, na sua região de cabeceiras, até o lago do Jará, a leste da sede urbana de Juruti; e margem direita do rio Amazonas, no trecho compreendido entre a serra de Parintins, na porção contida no Estado do Pará(a montante), e na sede urbana do municipio de Juruti; inclusive(a jusante).

 

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