‘A Vale já quebrou muitas empresas no Maranhão. Eu também fui vítima’, diz presidente do Sinduscon

“A Vale já quebrou muitas empresas no Maranhão. Eu sou uma das vítimas.” A afirmação foi dada com exclusividade ao blog pelo presidente do Sinduscon, João Batista Mota.

João Batista Mota, presidente do Sinduscon, foi uma das vítimas da Vale

Mota conta que a mineradora fecha contrato com a empresa em concorrência, após esta apresentar uma planilha de serviços e custos. A firma contrata os trabalhadores, que têm de fazer um curso de 60 dias antes de começar o serviço. “O primeiro problema começa aí porque a Vale se recusa a cobrir estes dois meses de salários”, explica o presidente do Sinduscon.

Segundo ele depois de realizado o trabalho, a Vale quer pagar a muito menos do que foi feito. “A empresa começa roendo o osso e quando chega no filé a Vale corta. Aí não tem quem não quebre”, afirma.

O presidente do Sinduscon contou que há 16 anos a sua empresa, a Logus Engenharia, foi contratada para fazer um serviço em Açailândia, mas a mineradora não pagou o que havia sido combinado.

“É o mesmo que estão fazendo com a WO Engenharia, a maior empresa de construção pesada do Maranhão”, conta ele, lembrando que na ocasião teve uma forte discussão com o engenheiro Penha dentro do escritório da mineradora. Por pouco, ele não partiu para agressão contra o funcionário da Vale.

Mota disse que as empresas maranhenses não querem trabalhar para a multinacional. “Meu e-mail está cheio de propostas, mas as empresas do Maranhão estão se recusando a trabalhar para a Vale. Nem eu mesmo quero”, assegura.

De acordo com ele, depois que o assuntou começou a ser divulgado a Vale “tenta dar uma de boazinha dizendo ter um programa de valorização das empresas maranhenses”.

Reunião

O vice-presidente do Sinduscon, Humberto Oliveira, tem participado de reuniões com a direção da mineradora no sentido de tentar negociar o pagamento das empresas locais que alegam “calote” da Vale. Ontem uma reunião aconteceu entre a Covap e um diretor da multinacional vindo do Rio de Janeiro.

A Covap já demitiu 400 funcionários e fez um acordo com o sindicato dos trabalhadores programando o pagamento dos salários atrasados para o próximo dia 28. Isso se a Vale repassar algum recurso para a empresa. “Trabalhar para a Vale é meio complicado”, declara Oliveira.

O caso mais grave, no entanto, é da WO Engenharia. A empresa alega ter pego um “calote” de R$ 32 milhões da Vale, de um contrato de R$ 63 milhões. Já demitiu seus 2,5 mil empregados no Maranhão e Pará.

“Trabalho para a Vale desde que ela era estatal. Eles me quebraram quando fui trabalhar na Ferrovia (de Carajás). Me enrolaram (no pagamento) com conversa fiada e a coisa foi aumentando. Em novembro eu parei porque não aguentava mais. So naquele mês, a folha de pagamento já estava em R$ 2,6 milhões. Eu fui à bancarrota”, disse ao blog o empresário Osmar Fonseca dos Santos, dono da WO Engenharia.

Osmar Santos afirmou que até o ano passado a empresa não tinha um título protestado. Agora está vendendo todo o maquinário da empresa para pagar fornecedores e funcionários. “Acabei com tudo”, desabafa.

WO fazia serviços de terraplanagem na Ferrovia Carajás e tinha 2,5 mil empregados

Ele disse que a WO já trabalhou para a Petrobras fazendo manutenção e reforma de plataformas de petróleo em alto mar. Fez a manutenção industrial da Refinaria Gabriel Passos (MG), da fábrica de alumínio da Alcoa em Poços de Caldas (MG), da Albras (PA), além de serviços para Furnas e a Rhodia do Brasil.

Para a Vale, fazia serviços de terraplanagem e construção civil.

Mobilização

Empresários e políticos do Maranhão e Pará estão tentando uma reunião com o ministro maranhense Edison Lobão (Minas e Enegia), que está em viagem pela África. Na próxima semana, devem ser feitos pronunciamentos na Câmara de Vereadores de São Luís, na Assembleia Legislativa e Câmara Federal denunciando o caso.

Hoje pela manhã o diretor de comunicação da Vale, Marcelo Almeida, ligou do Rio de Janeiro para reclamar da primeira notícia do blog. Na conversa, ele se resumiu a querer dar aula de jornalismo. Reclamou do fato da empresa não ter sido ouvida na primeira postagem e do termo “calote” usado na matéria.

De acordo com vários dicionários, calote é “dívida não paga”, justamente o que a mineradora está fazendo com as firmas do Maranhão e Pará, segundo estão denunciando os empresários. Depois enviou a nota de esclarecimento abaixo, uma verdadeira piada. Não explica coisa alguma. Blog do Décio

 


3 comentários sobre “‘A Vale já quebrou muitas empresas no Maranhão. Eu também fui vítima’, diz presidente do Sinduscon

  1. Na verdade, é uma política egocêntrica mascarada por paradigmas – segurança e excelência -, levando as empresas terceirizadas a desprender-se e exonerar-se de capital financeiro, que através de licitações perversas e fantasiosos quebram, juntamente com seus colaboradores. Tudo para cumprir com exigências e determinações; como se a VALE honrasse tais paradigmas.

  2. Na verdade, é uma política egocêntrica mascarada por paradigmas – segurança e excelência -, levando as empresas terceirizadas a desprender-se e exonerar-se de capital financeiro, que através de licitações perversas e fantasiosos quebram, juntamente com seus colaboradores. Tudo para cumprir com exigências e determinações; como se a VALE honrasse tais paradigmas.

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