Vale a todo vapor

Fonte: Globo – 12/02/2011, por Danielle Nogueira

Com a perspectiva de aumento do preço de minério de ferro este ano — estimativas apontam para altas superiores a 20% no preço médio, para US$115 a tonelada — a Vale planeja investir US$5 bilhões em logística em 2011, praticamente o dobro do previsto para o ano passado. O objetivo é garantir a liderança entre as empresas brasileiras exportadoras.

Ano passado, ela exportou US$24 bilhões, ou 122% a mais que em 2009, segundo o Ministério do Desenvolvimento, desbancando a Petrobras, que se mantinha no topo nos últimos anos. A previsão da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB) é que os embarques da mineradora alcancem US$32 bilhões este ano, um acréscimo de 33% sobre 2010.

No ano passado, a previsão de investimento em logística era de US$2,654 bilhões — como a empresa só divulga seus resultados do quarto trimestre de 2010 no próximo dia 24, ela ainda não pode revelar o montante efetivamente aplicado. Além de dobrar o estimado para 2010, os US$5 bilhões para logística este ano correspondem a 21% do total de investimentos projetados para 2011 (US$24 bilhões). Mais uma carta na manga de Roger Agnelli na disputa travada com segmentos do governo que tentam substituí-lo na presidência da Vale, com alegações de que a companhia tem de investir mais em siderurgia e logística.

Terminal em São Luís também será ampliado
O principal projeto nesta área em 2011, abocanhando quase um terço dos recursos (US$1,4 bilhão) destinados à logística, é a ampliação do corredor de escoamento de produção de minério de ferro de Carajás (PA). Será o maior valor destinado a um único projeto em 2011. Batizado de Capacitação Logística Norte, ele compreende a duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), que liga Carajás a cidade de São Luís (MA) e hoje funciona apenas em uma via, e a ampliação do terminal marítimo Ponta da Madeira, localizado na capital maranhense.

A magnitude do investimento dá a dimensão da importância do projeto para a Vale. É da Região Norte que vêm as maiores perspectivas de crescimento para os negócios no segmento de minério de ferro, carro-chefe da companhia. Com a duplicação da Estrada de Ferro Carajás, sua capacidade de movimentação de minério passará de cerca de 120 milhões de toneladas para 230 milhões até 2014/2015. O salto permitirá à Vale ampliar a meta de produção nacional de 311 milhões de toneladas de minério em 2011 a 522 milhões de toneladas em 2015.

— As obras na ferrovia começaram este mês. Em 2011 ela já deve transportar mais minério que a Vitória-Minas (ferrovia também da Vale e que hoje é a principal via de escoamento do minério no país) — diz o diretor executivo de Operações Integradas da Vale, Eduardo Bartolomeo.

Com a duplicação da EFC, a Vale também pretende elevar o transporte de carga de terceiros e continuar surfando no boom das commodities. Recentemente, a empresa concluiu a construção de trecho da ferrovia Norte-Sul que liga a EFC a Palmas (TO), área de fronteira agrícola.


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