Sindicalista é barrado em 1ª reunião da ”nova” Vale

A primeira assembleia de acionistas da Vale após a confirmação de mudança na presidência da mineradora foi recheada de questionamentos sobre o futuro da empresa e sua política socioambiental. Até o sindicalista canadense Wayne Rae, que liderou a mais longa greve enfrentada pela mineradora, tentou comparecer à assembleia. Mas saiu frustrado ao ser barrado na porta.

A reportagem é de Mônica Ciarelli e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 20-04-2011.

Detentor de ADRs (American Depositary Receipts, títulos da empresa negociados na Bolsa de Nova York), o sindicalista canadense foi barrado sob a alegação de que suas ações estavam registradas no nome do banco JP Morgan, que fez a operação de compra. Alguns acionistas chegaram a pedir que ele pudesse acompanhar a reunião apenas como ouvinte, mas o pedido foi negado.

Durante a assembleia, um acionista lamentou a saída de Agnelli, ao falar dos bons resultados obtidos pela companhia ao longo dos dez anos do executivo à frente da Vale. “Infelizmente, quem nos controla é o governo federal”, afirmou, numa referência à presença da União no bloco de controle.

Pauta do dia

O quórum do evento foi tímido, em comparação ao tamanho da empresa: reuniu cerca de 30 acionistas em uma sala no 19.º andar da sede da companhia, no Rio.

Apesar das preocupações manifestadas por acionistas minoritários, todos os temas da pauta do dia foram aprovados. Entre os assuntos discutidos esteve a entrada do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, no conselho de administração da Vale como representante da Previ. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil divide o controle da gigante da mineração com o Bradespar (braço de participações do Bradesco), o BNDES e a japonesa Mitsui.

Ricardo Flores, presidente da Previ e do conselho de administração da Vale, aproveitou o evento para reafirmar a intenção dos acionistas controladores de não mexer no atual planejamento estratégico da empresa. Lembrou que Ferreira tem um “perfil técnico” e que o processo de escolha do sucessor de Agnelli seguiu o estatuto e as normas de governança corporativa.

Os acionistas presentes fizeram ainda uma bateria de perguntas sobre a atuação da Vale nas comunidades próximas às atividades da companhia e também sobre o relacionamento com seus trabalhadores no Canadá. Flores optou por uma resposta mais genérica aos questionamentos: “Na nossa convicção, os acionistas terão cada vez mais transparência, voz e participação na empresa”, disse.

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