Vitória de Piquiá: agora tem terra!

26/07/2011

A luta dos moradores de Piquiá de Baixo (Açailândia-MA), em fuga da poluição siderúrgica e da Vale, continua com mais uma vitória. Após muita pressão popular, o Município desapropriou uma terra por interesse social, em vista do reassentamento do povoado. Confira em nota da Defensoria Pública. O site JnT homenageia os moradores de Piquiá de Baixo com o texto que segue.

Terra. A cada dia puxada das entranhas do Pará, separando o lucro do lixo, despejando resíduos nas águas e nas matas.
Terra fundida, em nossas cinco siderúrgicas, na cadeia do aço que deixa fumaça e carvão e vidas queimadas.
Terra que corre no trem de minério, deixando atrás de si buracos e direitos violados, acumulando vantagens e dinheiro fácil para poucos.
Um povo que quer fugir: falta-lhe ar e dignidade, também a terra dele lhe foi subtraída, em concessão à Vale e às siderúrgicas.

Muitas vezes comparamos Piquiá de Baixo ao povo de Deus em fuga do Egito, em busca de “nova terra e novo céu”, de uma nova relação entre as pessoas, a criação e o Deus-mãe que geme pela dor de tudo o que pariu.
Em Piquiá de Baixo, profundo interior do Maranhão, vivem trezentos famílias; devia ser, mais ou menos, o tamanho de um dos grupos rebeldes e ousados que quiseram desafiar o deserto, abandonando o sistema do Egito que aproveitava de sua mão-de-obra barata e comprava seu silêncio e resignação com poucos pães.

Essa pequena comunidade começou a sonhar com uma nova terra. Revelou a falência desse modelo de desenvolvimento, que condena as regiões de Carajás e Açailândia à exaustão. Mas não se rendeu à agressão do ‘progresso dos outros’: há cinco anos luta para sair dessa escravidão. Êxodo ao contrário: fuga de suas próprias raízes, porque contaminadas.

Hoje essa comunidade celebra uma conquista: após muita luta, finalmente houve um Decreto, fruto de pressão e articulação local, nacional e internacional. Decreto de desapropriação de propriedade: uma nova terra foi reservada para o povo de Piquiá de Baixo.
Começa uma nova história.

A Doutrina Social da Igreja e a própria Constituição brasileira dizem que a terra tem uma função social: “em caso de necessidade, todas as coisas são comuns”. Hoje um pedacinho de direito concretiza-se nas mãos de quem amassou por anos suor e luta. Falta ainda muito, mas um marco de dignidade está posto: essa terra é do povo.

Sim à dignidade das comunidades, não à contaminação que expulsa inteiras famílias, arranca raízes e fecha as portas do futuro.Justiça nos trilhos

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