Moçambique: “O menino bonito” da Vale. Entrevista especial com Jeremias Vunjanhe


Instalada em Moçambique desde 2004, a mineradora brasileira Vale tem causado polêmica entre os trabalhadores, ambientalistas e ativistas moçambicanos ao explorar minério na bacia carbonífera de Moatize, “uma das maiores reservas de carvão mineral não exploradas do mundo”, conforme informação do jornalista Jeremias Vunjanhe, que concedeu esta entrevista à IHU On-Line por e-mail.

Assessor da Justiça Ambiental/Amigos da Terra Moçambique, Vunjanhe denuncia com frequência os impactos ambientais da ação da multinacional brasileira no continente africano e a precarização das condições de trabalho enfrentadas pelos funcionários da empresa. Segundo ele, em 2007, a Vale assinou um contrato com o governo moçambicano, garantindo sua permanência no país até 2030 para explorar uma área de 23.780 hectares.

Sete anos após a instalação da empresa em Moçambique, Jeremias Vunjanhe conta que, juntamente com a Riversdale, os acionistas da instituição têm “se convertido em proprietários absolutos das unidades hoteleiras e restaurantes, das vias de acesso, do aeroporto local, enfim do destino da província. A Vale está interferindo no funcionamento normal das instituições oficiais, impondo-se com maior relevância do que a maioria dos órgãos públicos locais como ator nos processos de decisões políticas, econômicas e sociais”. De acordo com ele, a situação social e econômica da sociedade piorou nos últimos cinco anos porque o crescimento econômico não está associado à criação de empregos e redução da pobreza.

Apesar de Moçambique ter conquistado a independência da dominação estrangeira há mais de 30 anos, Vunjanhe esclarece que a sociedade ainda convive com os reflexos da ditadura do partido único, “limitando totalmente os direitos e as liberdades fundamentais do seu povo”. Exemplos do passado são percebidos no presente a partir da atuação dos sindicatos, que possuem relações estreitas com o governo moçambicano. “Quase todos os sindicatos existentes no país, incluindo o dos trabalhadores da Vale, é controlado pelo governo e pelo partido Frelimo, que simultaneamente tem interesses empresariais no projeto da Vale em Moatize”, menciona.

Jeremias Vunjanhe é graduado em jornalismo pela Escola de Comunicação e Artes – ECA da Universidade Eduardo Mondlane – UEM, de Moçambique e assessor de organizações de base comunitárias.

Confira a entrevista de Patricia Fachin em IHU


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