MARABÁ: desenvolvimento ou degradação?

Através da imprensa local temos recebido informações de que o município de Marabá se encontra em avançado ritmo de desenvolvimento, com enfoque na duplicação da rodovia Transamazônica, ampliação do número de loteamentos urbanos, construção de prédios pomposos, instalação da ALPA – Aços Laminados do Pará e outras fantasias.
Usando estes elementos como propulsores do desenvolvimento vários setores tentam trazer para si os créditos pela implantação destes empreendimentos, mesmo que de nada tenha feito ou contribuído para tal realização, mas o importante é que a população possa incorporar o discurso como verdade.

No caso da ALPA, não quero entrar no mérito se vai ser implantada ou não, mas o certo é que já causou grandes transtornos e prejuízos e ainda irá causar se a obra for a diante. Trata-se da construção de uma ponte no rio Itacaiunas que foi iniciada sem a licença ambiental, outro é o aterramento de nascentes existentes na área onde já iniciaram serviços de terraplenagem.

No caso da duplicação da rodovia Transamazônica o prefeito Maurino Magalhães quer para si os créditos pela realização da obra, mas ao mesmo tempo deixa de desenvolver obras que resolvam os problemas da grande maioria dos moradores dos bairros da cidade. E quando realiza alguma obra é de péssima qualidade que em vez de resolver, cria mais transtorno. O que comprova o que estamos dizendo, foram os prejuízos que as famílias de vários pontos da cidade tiveram com a chuva do dia 02 passado, por falta de seriedade quando da execução de obras para a população.

Por trás da aparência da grande obra de duplicação da rodovia Transamazônica, dos discursos do desenvolvimento, e das mentiras divulgadas pela imprensa, estão escondidas as mazelas provocadas pela administração municipal com mau uso do dinheiro público. Estas mazelas vão desde as péssimas obras, a falta de saneamento até a mortalidade infantil.

A revista Veja, de 2 de novembro de 2011, publicou umas matérias especiais sobre as cidades, tratando dos piores e melhores desempenhos em vários aspectos, a partir de pesquisas realizadas em 106 cidades com mais de 200.000 habitantes, que inclui esta que dizem ter recebido prêmio da Alemanha, Marabá.

No que trata de as melhores, Marabá não aparece em nenhum dos quesitos, mas no que trata das piores aparece em vários, como, de uso de internet, saneamento, taxa de homicidio, lixo e mortalidade infantil, que citaremos em detalhes. É bom que os alemães fiquem sabendo, para melhor avaliar quando for premiar nos próximos anos.

No quesito “pontos de acesso de banda larga” Marabá registrou o índice de apenas 7 pontos para cada 1.000 habitantes. Dentre as melhores a de maior índice está Santos(SP) com 289 pontos por 1.000 habitantes.

No quesito “saneamento” Marabá registrou o índice de 34,4% de população atendida, que me parece ser ainda menor. Marabá só superou o município de Arapiraca(AL), que registrou o índice de apenas 19,4% de população atendida com saneamento.

No quesito “taxa de homicidio” Marabá é a pior, com 125 homicidios por 100.000 habitantes, o que não é novidade porque em pesquisas anteriores Marabá já conquistou o 4º lugar de cidade de maior índice de violência do país.

No quesito “lixo” Marabá é a segunda pior cidade com 78,5% da população atendida pela coleta, se fosse levado em conta o destino e tratamento do lixo a situação ainda seria bem pior, porque na verdade Marabá está um lixo.

No quesito “mortalidade infantil”, entre as piores, Marabá está em terceiro lugar, com 21 ocorrências para cada 1.000 nascidos vivos. A de melhor índice está Presidente Prudente(SP) com 8 ocorrência por 1.000 nascidos vivos.

Isto é o que nós chamamos da face oculta do desenvolvimento de fachada, a degradação ambiental e social. As grandes obras, não são para atender as necessidades do povo, mas para retirar e escoar nossas riquezas. A lógica do desenvolvimento imposta pela acumulação do capital não chega até a parte da sociedade desfavorecida, mas a um pequeno grupo que concentra a renda e privilégios. E esta lógica quando somada a corrupção aumenta de forma incontrolável, a degradação. É o retrato de Marabá.

Marabá, 03 de novembro de 2011.
Raimundo Gomes da Cruz Neto
Sociólogo


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