Vamos abrir a caixa preta

LÚCIO FLÁVIO PINTO
11 DE ABRIL DE 2012

Em 2005 a Vale publicou pela última vez em papel o seu relatório anual. Desde então, seu balanço sai apenas no Diário Oficial da União (por ser obrigatório) e em algum jornal especializado e de baixa circulação.

Para consultar suas demonstrações financeiras anuais, só acessando o site da empresa. Com muito mais trabalho e tendo que se submeter à pulverização dos números por desagregados trimestrais.

A Vale está entre as 20 maiores do mundo. É a maior do continente e, naturalmente, a líder do ranking brasileiro. É também a que mais exporta, sendo as exportações o lastro do crescimento econômico do Brasil, hoje a sexta maior economia do planeta, graças às commodities, sobretudo as minerais.

Até 2004 a prestação de contas da corporação saía em capa dura, papel de primeira, ricamente ilustrada, generosa em informações, como um livro ou um álbum. Podiam-se colecionar os volumes e consultá-los com mais facilidade e proveito.

Não por coincidência, o crescimento da Vale a partir de 2005, graças à China, foi acelerado como nunca. A empresa se espalhou pelos quatro continentes e se diversificou. Primeira em minério de ferro, se tornou a segunda em níquel, graças à compra da canadense Inco. E se preparou para ficar como uma das maiores em cobre.

Relação de causa e efeito?

Não procede a argumentação dos porta-vozes da Vale de que não se faz mais esse tipo de leitura em papel. A própria empresa continuou a publicar dessa forma o seu relatório de desenvolvimento sustentável, no qual apregoa suas virtudes de governança, sua sensibilidade ao meio ambiente e sua responsabidade social.
Essa publicação é cada vez maior e mais sofisticada. Propaganda pura.

A Vale também promove generosas campanhas publicitárias na mídia, apenas institucionais. Não é para vender mais, já que o seu grande mercado é o internacional, asiático em primeiríssimo lugar, e os contratos são de longo prazo. É para se promover. E atrelar a si as grandes empresas jornalísticas, das quais a empresa é dos maiores anunciantes.

Por que, ao invés de peças sem conteúdo, apenas para serem vistas e impressionarem os desavisados, a Vale não publica seus balanços em todos os principais jornais dos Estados nos quais atua?

Outras empresas fazem isso. Por que não a maior de todas? Por que ela esconde os seus números, enquanto inunda os jornalistas de releases, querendo induzir sutilmente o que escrevem?

Vamos fazer uma campanha para que o balanço anual da Vale volte a ser publicado em papel, como em todos os anos anteriores a 2005, na forma usual, e saia nos principais jornais dos Estados onde ela atua, sem estabelecer uma relação de troca de favores e venda de fidelidade editorial.

Escreva para a direção da empresa. Escreva para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mande mensagens para a imprensa e os blogs de informações. Vamos forçar a Vale a abrir o caixa (e a caixa preta).

Ao mesmo tempo, gostaria de pedir às pessoas competentes para realizarem a tarefa que leiam as demonstrações contábeis da Vale de 2011, divulgadas pouco tempo atrás, e façam sua análise a respeito.
Gostaria, em especial, de ter uma avaliação do grau de endividamento da Vale: ele é aceitável, suportável, normal?

Aguardo as respostas. http://valeqvale.wordpress.com/2012/04/


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