Licenciado o maior (e mais agressivo) projeto minerário hoje no mundo

O aguardado projeto de minério de ferro Serra Sul, da Vale, no Pará, está mais perto de sair do papel. A mineradora já tem nas mãos a licença ambiental prévia do investimento de quase US$ 20 bilhões, o maior do setor em andamento atualmente no mundo. O parecer técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi desconsiderado pelo Ibama ao emitir a licença.

Os superlativos que envolvem o projeto, com capacidade para produzir 90 milhões de toneladas por ano, levaram o presidente da Vale, Murilo Ferreira, ao Planalto. Ontem, ele detalhou os planos de expansão da companhia para a presidente da República, Dilma Rousseff. “Ela deu palavras de estímulo à Vale e demonstrou confiança na capacidade da empresa de concretizar o empreendimento”, contou.

Entretanto, Serra Sul não é uma unanimidade no governo. O parecer técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foi desconsiderado pelo Ibama ao emitir a licença para o empreendimento da Vale em Serra Sul. O analista ambiental Edilson Esteves, chefe da Floresta Nacional de Itacaiúnas (vizinha à Floresta Nacional de Carajás), mostrou-se surpreendido ao saber ontem da licença. Ele é um dos responsáveis pelo parecer do instituto, gestor das florestas nacionais, unidades governamentais de preservação ambiental.

“Destaco que o posicionamento da equipe técnica do ICMBio ao analisar os estudos foi contrário à autorização por parte deste instituto (autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e criada a partir do desmembramento, há cinco anos, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama)”, afirmou Esteves, por e-mail. Procurado, o Ibama não respondeu à declaração.

Projeto
A Vale rebate as críticas argumentando que remodelou o projeto para retirar o máximo possível de atividades de dentro da floresta – entre elas, unidades operacionais e estruturas logísticas. Por isso, o minério será transportado em correias de 30 a 40 quilômetros para áreas sem restrições ambientais.

Com o aval para construção de Serra Sul, a Vale pode elevar a produção do Sistema Norte dos atuais 109 milhões de toneladas para 230 milhões de toneladas. Para isso, conta ainda com o reforço de 40 milhões de toneladas de Serra Norte.

“Em 2017, devemos produzir 460 milhões de toneladas, considerando que nossa produção (total – sistema Norte e Sul) hoje está na casa de 310 milhões. Teremos aumento substancial até lá”, diz a empresa.

Em seu relatório, o Barclays diz que o já esperado aval do Ibama traz o crescimento de volta para o radar da Vale. De acordo com o banco, as demoras e complicações na obtenção de licenças para projetos de minério de ferro são uma carga pesada para as empresas do setor.

A qualidade do minério que será extraído em Serra Sul é uma das principais vantagens do projeto. “Antes de ser produzido, o minério já está vendido”,disse o diretor executivo de Estratégia da Vale, José Carlos Martins. Segundo ele, o projeto também atrai por ter um custo de produção extremamente baixo. “Qualidade, custo e sustentabilidade tornam o projeto único.”

Martins admitiu que a empresa estava há muito tempo sem conseguir licença para um grande projeto, como Serra Sul, e se mostra confiante na obtenção da licença definitiva. A expectativa é que todas as licenças sejam obtidas em até um ano. O projeto entra em operação em 2016.

* Notícia do jornal “O Estado de São Paulo”


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