Manifestação em Açailândia protesta contra poluição de siderúrgica

Mais de 150 pessoas ocuparam no dia 29 de julho a entrada da siderúrgica Gusa Nordeste S.A., em Açailândia, impedindo por um breve tempo o trânsito de caminhões de minério e carvão. O ato de protesto e solidariedade com o moradores do povoado Piquiá de Baixo foi a conclusão do segundo encontro dos Jovens Atingidos pela mineração, que aconteceu na cidade de Açailândia nos dias 27, 28 e 29 de julho.

Jovens de comunidades do Pará e do Maranhão, vítimas das constantes violações dos direitos cometidos pela mineradora Vale, encontraram-se para estudar os impactos da cadeia minero-siderúrgica, escutar os relatos de vivência das comunidades e planejar as próximas iniciativas de luta.

Depois de dois dias de debate, o encontro encerrou com uma manifestação no bairro Piquiá de Baixo. Os jovens percorreram as ruas do bairro acompanhados pelos moradores ao som de tambores, escutaram os relatos de pessoas impactadas pela poluição e puderam tocar com mão o sofrimento diário do povo.

Em caminhada ocuparam a BR 222 até chegar à entrada da siderúrgica Gusa Nordeste . Uma mística encerrou o encontro e espontaneamente os jovens e os moradores se posicionaram, com as mãos levantadas e sujas de munha, pó de balão, na entrada da siderúrgica, impedindo a circulação dos caminhões.

Foram marcantes as falas dos moradores do Piquiá, que além de relatarem o sofrimento mostraram a indignação e a inconformidade com a situação que a cada dia são obrigados a viver. Para dona Francisca “criminoso não é só quem mata, mas também que vende a arma; então a Vale é criminosa tanto quanto as siderúrgicas, porque é ela que vende o minério que mata o povo”.

O senhor Anísio denunciou os impactos e o aumento da poluição causado pelo cimento que a empresa produz a partir das escorias do processo de produção do ferro-gusa. “Eles acham que nós somos bichos e que devemos morrer como bichos. Mas nós não somos bichos não, somos gente e estamos aqui para dizer que não queremos ser tratados como bichos”, relatou.

Os moradores do bairro e os jovens que participaram do segundo Encontro de Jovens Atingidos pela Mineração acolheram com muita satisfação a decisão da justiça federal que, por meio de liminar, acatou o pedido das entidades promotoras de Ação Civil Pública e paralisou as obras de duplicação da Estrada de Ferro do Carajás, declarando ilegal a forma de licenciamento da mesma.

Fonte: Justiça nos Trilhos, 30 de julho de 2012

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