Policia leva Moradores de Serra Pelada ao Desespero

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Foi no inicio da década de 1980 que ocorreu a descoberta, em uma área de fazenda, do que se tornaria o maior e mais famoso garimpo de extração de ouro da Amazônia, denominado de Serra Pelada, no sudeste do Estado do Pará, na época município de Marabá, hoje de Curionópolis.

Serra Pelada sempre foi uma área muito disputada por diversos grupos, principalmente pela Vale, que desde meados da década de 1980 não tem deixado que os garimpeiros continuassem garimpando, mas mesmo assim existem muitas famílias que dali nunca desistiram e definiram como seu local para morar e constituir famílias.

O Estado que sempre tratou Serra Pelada à distância no que diz respeito aos cuidados para com as famílias que ali residem e no sentido de ajudar a resolver os conflitos que se apresentam, mas todas as vezes que as famílias se manifestam em mobilizações em busca de cobrar seus direitos, a polícia aparece para reprimi-las. É quando o Estado aparece e age com rigor.

Hoje as famílias se sentem desamparadas pelo poder público e coagida pelas empresas que prestam serviços para a Vale, no projeto Serra Leste, e sob pressão da própria Vale, que tem as famílias como algo que só atrapalha, principalmente as lideranças que articulam movimentos em defesa dos direitos das famílias.

Além da falta de serviços de saúde, educação de qualidade, de saneamento básico (água tratada, esgoto sanitário, calçamento das ruas), o que tem atormentado as famílias é a intensa poeira na vila e na estrada que dá acesso para a vila, pelo tráfego permanente dos veículos das empresas, inclusive com provocação de vários acidentes com mortes.

A última morte na estrada causada por acidente de trânsito ocorreu dia 13 de agosto quando morreu o professor João de Deus, diretor da Escola de Ensino Fundamental Maria Belarmina, da vila de Serra Pelada, o que provocou indignação na população e desejos de lutar em busca de soluções.

Como forma de protesto e com o objetivo de buscar diálogo com as empresas e o poder público municipal para cobrarem o asfaltamento da estrada e benefícios para a vila, no dia 14 de agosto, no momento do cortejo para o enterro do diretor da escola, os moradores realizaram uma manifestação em frente ao escritório de uma das empresas.

Como a manifestação não surtiu o efeito desejado, no dia 16 de agosto, com apoio dos diversos segmentos representativos dos moradores e igrejas, a população decidiu por interditar a estrada que dá acesso para a vila e para os canteiros de obra das empresas, prestadoras de serviços para a Vale.

No dia 17 de agosto às duas horas(madrugada) passaram pelo acampamento em sentido da vila duas viaturas com 22 policiais militares, o que chamou atenção dos manifestantes para o que poderia estar sendo planejado pela força de repressão do Estado, representado pelos policiais.

Pela manhã do dia 17 os policiais estiveram no acampamento no intuito de acabar com a manifestação e liberar o tráfego dos veículos das empresas. Sugeriram para que os manifestantes liberassem a estrada e fossem para a cidade negociar com o prefeito. Não havendo acordo, a manifestação continuou e uma comissão foi até ao Ministério Público Estadual, na cidade de Curionópolis para uma conversa com o promotor, o que não foi possível porque o promotor estava viajando.

À tarde, em torno das 15 horas, apareceu no acampamento um técnico do Ministério Público para falar da conversa que havia feito por telefone com o promotor e fazer algumas sugestões que pudessem ajudar os manifestantes na condução para uma negociação com o poder público.

Quando o técnico do Ministério Público ainda se encontrava no local da manifestação chegaram as viaturas com os policiais, muito bem armados e decididos em retirar os manifestantes da estrada e destruir as barracas que haviam sido construídas.

Muitas foram as conversas entre o comandante da tropa e os representantes dos manifestantes, até que pelas 17 horas chegaram a um acordo: as pessoas sairiam da estrada, ficariam ao lado para que os policiais, como disse o comandante “fizessem seus trabalhos”, que seria destruição dos barracos.

Até aí, mesmo contra a vontade da maioria, o acordo estava sendo mantido. Não sabemos se por aborrecimento de alguns policiais, por estarem trabalhando para destruir os barracos, ou pela vontade mesmo de bater e as pessoas ainda não terem dado nem um sinal de reação, mesmo antes de concluírem o serviço começaram a partir para cima dos manifestantes.

De forma covarde e desumana, um policial passou a agredir um senhor de idade bem avançada, os manifestantes começaram a reagir com gritos, daí os policiais passaram a usar spray de pimenta, balas de borracha e bombas contra as pessoas, sem que estas tivessem usado de qualquer ato que eles pudessem justificar como agressão, como bem mostram os registros que foram feitos.

Daí para frente foi só desespero, com a perseguição dos policiais aos manifestantes(homens, mulheres, crianças) muitos entraram nas capoeiras e matas próximas da estrada no sentido de se livrarem de mais desgraças. O resultado foi vários(as) feridos(as) bastante e um senhor que quase chegou a óbito.

Os manifestantes correram como puderam e conseguiram chegar até a entrada da vila, com isto as pessoas que não estavam na estrada se solidarizaram com os manifestantes e construíram uma nova grande manifestação, já sem o controle do comando e sob a força da indignação as reações foram se dando.

Os carros da policia que tentaram chegar próximo da manifestação foram apedrejados e muitos partiram para destruir os canteiros de obras das empresas que ficam próximos da vila, sem que as lideranças pudessem conter os ânimos dos manifestantes. Tudo agora é por conta do desespero causado pelos policiais.

No outro dia a policia volta para a vila e faz diversas prisões, inclusive de menores, os quais, eles tinham visto nas manifestações e não conseguiram bater no momento da vontade extrema. Dentre as prisões foi feita do advogado que presta serviço para as pessoas da vila de Serra Pelada, Rodrigo Maia Ribeiro, sem apresentar nada que justifique tal ato. E o pior, prisão feita dentro de sua residência. Além das oito prisões feitas existe mandado para mais oito.

Esta é mais uma amostra de atrocidades contra o povo indefeso, e demonstração de como o Estado e as corporações estão articulados no sentido de promoverem a expropriação das riquezas, reprimir e criminalizar aqueles(as) que se manifestarem contra tal absurdo. O Estado coloca a serviço destes interesses seu poder jurídico e policial numa forma de opressão das populações.

Os pobres, crianças e velhos abandonados a própria sorte(se é que existe para eles) da vila de Serra Pelada, mais do que nunca precisam do apoio das diversas instituições democráticas e dos movimentos socais populares para enfrentarem os monstros que sempre se erguem naquele pedaço de chão, que vem se tornando a cada dia mais desumanizado.

Pátria Livre!
Venceremos!
Marabá, 04 de setembro de 2012.
Coletivo Amazônida de Formação e Ação Revolucionária


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